Apesar de a orientação padrão seja para o contribuinte entregar a declaração de IR o quanto antes, para quem tem restituição para receber e não precisa desse dinheiro, pode ser mais vantajoso deixar para enviar somente nos últimos dias. Isso porque o valor da restituição pode ter um rendimento melhor que o de outras aplicações financeiras se ficar para os lotes finais, já que o valor pago pela Receita é corrigido pela taxa Selic do período.
Pelas regras, o valor a ser restituído é corrigido pela taxa básica de juros, atualmente em 12,75% ao ano, mais juros de 1%, o que dá um ganho real superior à inflação e, inclusive, acima da maioria das aplicações financeiras.
O rendimento das cadernetas de poupança, quando a Selic está acima de 8,5%, está limitado a somente 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR).
"É vantajoso receber a restituição do Imposto de Renda nos últimos lotes", afirma a especialista.
"A prática dos anos anteriores mostra que, para quem declara mais perto do prazo final, a restituição fica para os últimos lotes", acrescenta.
E a aposta é que a Selic continuará a subir. Apesar do Banco Central ter elevado em março os juros para 12,75% ao ano, o maior patamar em seis anos, o mercado financeiro projeta que a Selic chegará a 13,25% ao ano até o fim de 2015.
Simulação mostra diferença no valor da restituição
Uma simulação feita pela consultora mostra a diferença do valor da restituição, dependendo do lote de pagamento.
Considerando um contribuinte com faixa salarial de R$ 5 mil, que opte pela declaração simplificada, o valor da restituição, sem a devida correção, seria de R$ 1.427. Levando em consideração a atual taxa Selic, ele receberia R$ 1.454 (correção de 1,87%) no primeiro lote, previsto para junho, e R$ 1.530 (correção de 7,21%) no último lote, esperado para dezembro. Ou seja, uma diferença de mais de R$ 70.
A estratégia de procurar cair nos últimos lotes costuma valer mais para aqueles com restituição de valor mais alto, o que geralmente ocorre quando houve um grande pagamento com retenção de imposto na fonte – descontado antes do pagamento.
Os especialistas recomendam, entretanto, alguns cuidados, como evitar deixar para enviar a declaração somente nas últimas horas, quando há maior risco de congestionamento.
"O recomendável é deixar a declaração pronta e gravada, aguardando tão somente a transmissão".
Vale lembrar ainda que a estratégia não vale para quem tem mais de 60 anos ou usou a certificação digital, porque essas pessoas têm prioridade em receber a restituição, não importa quando entregue a declaração.
Fonte. g1economia
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